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Os Carioquinhas
Os Carioquinhas no Choro
1977
Após a morte de Jacob do Bandolim
em 1969 o choro entraria em uma fase de letargia no cenário
musical brasileiro, sendo muito poucas as iniciativas no sentido
de reativar o gênero. De 1970 a 1975 a produção fonográfica
do choro não é muito significativa, conseqüentemente a sua
divulgação se tornava cada dia mais escassa, as rádios praticamente
não o tocavam e dessa forma ele ia ficando de fora das preferências
musicais da população. Por outro lado passava-se a impressão
que o choro era um gênero musical de veteranos, coisa do passado,
já que não se vislumbrava uma significativa renovação de músicos
que o interpretassem e lhe dessem continuidade. Contudo, quando
Os Novos Baianos gravaram seu LP Acabou Chorare em 1973 e
incluíram instrumentos como o cavaquinho, violão de sete cordas
e violão tenor, verificou-se ali a necessidade de se utilizar
desse instrumental para a produção de novos discos de musica
popular. O desdobramento dessa iniciativa se fez logo notar
em 1974 com o lançamento do primeiro LP de Cartola que tinha
um acompanhamento e um arranjo musical bem característico
de um regional de choro e contava com artistas como Dino,
Canhoto, Meira, Copinha, Raul de Barros e Abel Ferreira.
Estas poucas iniciativas iam deixando
um sabor de se promover uma retomada do choro e estimulava
o surgimento de novos grupos com uma base composta por jovens
artistas, como Éramos Felizes, Rio Antigo, Anjos da Madrugada
e o Galo Preto criado em 1975 com Afonso Machado no bandolim,
Jose Maria Braga na flauta, Luiz Otávio Braga no violão de
sete cordas, Mauro Rocha no violão e Camilo no pandeiro.
A tendência de uma revigoração do
choro ia tomando corpo no país inteiro e isso era visível
aos olhos de alguns artistas que aproveitaram a oportunidade
para realizarem alguns trabalhos importantes como Paulinho
da Viola que gravou em 1976 o LP Memórias chorando, que teve
uma ampla aceitação no mercado e ajudou a consolidar a tendência
renovadora do choro. Em 1977 comemorava-se o centenário do
primeiro choro nacional, Flor amorosa, de Joaquim Antonio
da Silva Calado, proporcionando um grande revival do gênero
em todo o país, consolidando o choro e conseqüentemente trazendo-o
de volta a mídia. Foram realizados então alguns eventos importantes
como I Festival Nacional do Choro promovido pela Rede Bandeirantes
de Televisão e o espetáculo O Fino da Música realizado no
Centro de Convenções do Ahnembi em São Paulo nos dias 26 de
maio e 27 de junho reunindo a fina flor do choro destacando-se
Canhoto e seu Regional, Altamiro Carrilho, Raul de Barros,
Paulo Moura, Waldir Azevedo juntos a nova geração formada
principalmente pelos conjuntos Atlântico e Fina Flor do samba.
Nessa redescoberta foram fundados
vários clubes em todo o país, em Salvador no dia 20 de maio
de 1977 surge o Clube do Choro da Bahia e o grupo Os Ingênuos,
revigorando o gênero no estado. Contudo, a capital nacional
do choro é e sempre foi o Rio de Janeiro, e é de lá que surge
um grupo denominado Os Carioquinhas, formado por Rafael Rabello
no violão sete cordas, Luciana Rabello no cavaquinho, Maurício
Carrilho no violão de seis cordas, Celso Alves da Cruz no
clarinete, Paulo Magalhães Alves no bandolim, Celso Jose da
Silva no pandeiro e Mario Florêncio Nunes na percussão. O
grupo gravou seu primeiro disco ainda no ano de 1977 pela
gravadora Som Livre e logo se destacaram como a grande sensação
jovem do choro brasileiro. Seus componentes eram ainda garotos
e já demonstravam uma técnica impressionante destacando-se
por dar ao choro uma interpretação mais desenvolta e suingada
O disco traz doze composições de
nomes renomados como Altamiro Carrilho, Luiz Americano, Pedro
Galdino, Alcyr Pires Vermelho, Avena de Castro, Jacob do Bandolim,
Carramona, Rossini Ferreira, Aristides Borges, Pedro Galdino
e Luiz Otavio Braga. Uma das músicas do disco Gadu namorando
de Alcyr Pires Vermelho e Lalau foi durante algum tempo tema
de abertura do Jornal Hoje da Rede Globo. Misturando novos
talentos com veteranos como Zé da Velha, Altamiro Carrilho
e a participação de Joel do Bandolim, o disco dos Carioquinhas
foi fundamental para estimular novos artistas a trilharem
o caminho do choro. De seus componentes o maior destaque foi
Rafael Rabello, a grande revelação da musica instrumental
brasileira surgida nos anos setenta, consolidando-se como
um dos nossos mais virtuoses violonistas precocemente desaparecido
aos 32 anos em 1995.
Hoje o choro é uma realidade nacional,
proporcionando a cada dia o surgimento de novos adeptos, e
nesse mundo de tribos, a comunidade do choro amplia-se cada
vez mais inclusive no exterior. Contudo é importante sempre
lembrar que essa conscientização preservacionista do nosso
gênero musical mais autentico só se tornou possível graças
ao talento e a garra daqueles que a pouco mais trinta anos
o fez reviver, e, nesse contexto Os Carioquinhas foram figuras
essenciais e definitivas.
Luiz Américo Lisboa Junior.
Itabuna, 27 de abril de 2005.
Músicas:
1) Gadu namorando (Lalau/Alcyr Pires Vermelho)
2) Coralina (Carramona)
3) Fala Clari (Avena de Castro)
4) Santa morena (Jacob do Bandolim)
5) Assim mesmo (Luiz Americano)
6) Ansiedade (Rossini Ferreira)
7) Os Carioquinhas no choro (Altamiro Carrilho)
8) Não gostei dos seus modos (Aristides Borges)
9) Flausina (Pedro Manoel Galdino)
10) Intrigas no boteco do Padilha (Luiz Americano)
11) Chora bandolim (Luiz Otávio Braga)
12) Minha lágrima (Luiz Americano)
Ficha
Técnica
Direção de produção: Guto Graça Mello
Produção executiva: Paulinho Tapajós
Direção de estúdio: Paulinho Tapajós
Assistente de produção: Jorginho do Pandeiro
Arranjos e regências: Os Carioquinhas
Técnicos de gravação: Célio Martins/Don Lewis/Edu
Assistentes de estúdio: Mario/João Maria
Direção de montagem: Paulinho Tapajós
Técnicos de mixagem: Célio Martins/Don Lewis
Fotos: Henrique Sodré
Coordenação de capa: Vera Cristina Roesler
Layout: Joel Cocchiararo. |
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